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A trajetória de Amyra El Khalili
A trajetória de Amyra El Khalili
Por Marcelo Baglione*
Amyra El Khalili, nascida no Brasil, mas com uma “swingada” cidadania palestino-brasileira, formada em economia, trabalhou por quase duas décadas no mercado de futuros e de capitais (sendo uma das primeiras operadoras de pregão da BM&F). Nesse tempo, deixou como resultado um trabalho invejável: desenvolveu quatro corretoras de commodities e derivativos e treinou cerca de mil e seiscentos operadores de mesa, pregão e liquidação, além de clientes e usuários do sistema financeiro. Em 1996, ela deixou o mercado para se dedicar exclusivamente ao Projeto BECE, hoje meta de uma Organização da Sociedade Civil, com o principal objetivo de formar novos especialistas para o mercado, com características bem diferentes do corretor tradicional de Bolsas.
Crítica do papel de alguns colegas, “que só querem defender os interesses das grandes corporações e, em nome destas, ainda têm coragem de dizer que falam em nome do mercado como um todo”, Amyra entende que o economista tem que enxergar o "lado social", trabalhando em prol do bem-estar da população mais necessitada. É por isso que a essência deste trabalho é fazer com que os instrumentos financeiros sirvam à sociedade, ao contrário do que faz uma mi-noria que manipula de uma forma escusa os interesses políticos e econômicos.
Na década de 1990, Amyra se convenceu de que a nossa civilização planetária não terá futuro algum, caso seja mantido o atual caráter predador nas relações humanas. Mais cedo ou mais tarde, acredita ela, chegarão crises permanentes e incontroláveis. É daí que vem a certeza de que nada que não seja renovável dará certo, inclusive fontes energéticas. Na base dessas conclusões, está um profundo estudo, cujo resultado principal é o PROJETO B.E.C.E. (sigla em inglês para Bolsa Brasileira de Commodities Ambientais). Nas operações desta Bolsa, serão colocados os profissionais CTAs, os Geradores de Negócios Sócio Ambientais nos Mercados de Commodities (com visão multi e interdisciplinar), cuja missão consistirá na viabilização de projetos auto-sustentáveis de longo prazo.
Buscando a viabilização do projeto B.E.C.E., Amyra fundou em 2001 a OSC CTA e, com a OSC REBIA-Rede Brasileira de Informação Ambiental, através do seu Projeto do Jornal do Meio Ambiente idealizado e presidido pelo jornalista Vilmar S. Demamam Berna, Prêmio Global 500 da ONU para Meio Ambiente , coordenam a Rede Internacional BECE REBIA. Congregam-se deste modo, as mais fortes correntes do pensamento ambientalista e dos direitos humanos do país, visando conectar os esforços para a preservação ambiental com um novo conceito de atividade econômica, que se pauta por uma ética sócio-ecológica. Na coordenação desse movimento, Amyra ministra o curso "Commodities Ambientais" nos quatro cantos do Brasil por meio de parcerias entre a rede e as entidades locais — formando multiplicadores CTA e elaborando relatórios coletivamente, para servirem como referência documental de fóruns regionais que, futuramente, se unirão dentro de uma perspectiva nacional para formar a primeira bolsa de mercadorias totalmente orientada por parâmetros ecológicos no mundo.
Amyra ainda arranja tempo — e fôlego !!! — para se dedicar a outras atividades: é fundadora do "Movimento Mulheres pela P@Z!" (com a participação de mulheres palestinas, judias e brasileiras) e membro fundadora do Projeto “PORTAS ABERTAS: Dois Estados para Dois Povos" em parceria com a Revista Caros Amigos, além de ser editora da Rede para Difusão da Cultura Árabe-Brasileira Samba do Ventre, Rede do Movimento Mulheres pela P@Z!" e Rede Festival Virtual Africano
Também ministra oficinas de danças étnicas exclusivamente para mulheres através da oficina “Dança pela Água em Missão de Paz” e dirige a Cia de Danças El Khalili Arabian Dances com mais de duas décadas de história na luta pelos Direitos Humanos.
Como se não bastasse toda esta irretocável trajetória de luta em favor da justiça sócio-ambiental no Brasil, o maior santuário de riquezas biosféricas do mundo, no ano de 2004, Amyra El Khalili foi indicada para o "1000 Mulheres para o Prêmio Nobel da Paz”; com endosso de pacifistas israelenses e árabes, diversas entidades e lideranças. Para Amyra, todas essas manifestações foram o prêmio maior. Mais que prêmios, foram demonstração de poder e força; "resistência" e respeitabilidade.
Comunidade BAHA'I e a Indicação de Amyra El Khalili ao Prêmio Bertha Lutz 2006
Embora a alegria tenha sido enorme também, não me surpreendeu a "indicação" de nossa amiga ativista e humanista ambiental, a economista Amyra El Khalili, para o Prêmio Bertha Lutz 2006, feita pela Comunidade Bahá´í, pois se tem algo que anda de mãos dadas com os bahá´ís e Amyra, é credibilidade.
Tanto Amyra, como a Comunidade Bahá´í (do Brasil e do exterior), são Amigos de longa data.
A despeito de não ser bahá´í, credito a esta religião o "mais amplo" respeito, não só pela sua história, mas, também, pela envergadura espiritual, fundamentada pelos seus sábios profetas, que sempre me encantaram, aos quais nutro uma sincera e humilde devoção.
O reconhecimento do trabalho e da obra de Amyra, feito pela Comunidade Bahá´í do Brasil (uma religião amplamente difundida e reconhecida em todo o mundo), é mais uma concretização das sábias palavras e proposições de Bahá´u´lláh, onde a Unidade do Gênero Humano se dá através da "interdisciplinaridade" e da multi-congregação racial, sócio-econômica e política de todos os povos.
Ela é brasileira e palestina, mas bem poderia ser judia, africana, ou mesmo tibetana, pois seu trabalho está muito e muito distante, senão totalmente desligado de qualquer fanatismo ou segregação, típicas de nossos tempos, que tanto tem perseguido e estigmatizado esta vencedora. Apesar das correntezas que Amyra enfrenta, sua vida pública e todo o seu trabalho, permanecem imunes à corrupção, ou qualquer outra destas indignidades.
Portanto, respeito e credibilidade são coisas que não se enraizam num ser humano do dia para a noite. Tanto da Fé Bahá´í, como de Amyra El Khalili, não poderia esperar outra coisa senão isso: a convergência para a Paz e a Unidade entre os Povos.
Mas se você ainda não teve a oportunidade de conhecer o pensamento econômico...; melhor dizendo, biofinanceiro da professora Amyra, veja o importantíssimo artigo “Quem é o dono da água”.
Este valioso texto, redigido por ela em terras brasileiras, está pleno de contemporâneidade, e certamente possui uma abrangência transcontinental porque foi escrito e publicado – primeiramente – na Rede BECE, no fim do ano de 1999; portanto, bem antes da 2ª antifada palestina e do 11 de setembro.
Publicado com destaque na revista ECO 21, este mesmo artigo fez parte da Edição espe-cial “Gestão das Águas – Um desafio da saúde pública”, da revista Canal Saúde (maio/junho de 2004 ano 5 número 25) – onde o Canal Saúde é um projeto permanente da presidência da Fundação Oswaldo Cruz e do Ministério da Saúde.
Como a própria autora diz..., “...os verdadeiros amigos se conhecem diante de um poço de água, no meio do nada”.
Quem conhece, sabe que esta postulante indicada a diversos prêmios é amiga de Gaia, da água e de todos os povos; povos estes que hoje morrem não só de sede, mas também pela abandono e a falta de justiça.
Nº 138 - Agosto/2000 Uma profissional de visão e ações ecléticas - por Jorge Salles
Revista Brasil Energia - n.246 - Maio de 2001 - Ou renovamos ou barbarizamos - por Antonio Carlos Sil
Site Rios do Brasil www.riosdobrasil.com.br, Commodities Ambientais para o Estado do Espírito Santo - por Marco Antonio Martins
MARCELO BAGLIONE é Escritor (webwriter), cronista e articulista ambiental, com vários trabalhos publicados na web e em várias editoras. Formado em Comunicação Social (Publicidade e Propaganda), PUC/RJ. É pesquisar da COOPAS — Cooperativa de Produção de Audiovisuais de Saúde, Saneamento e Meio Ambiente, onde é o responsável pela organização da pesquisa e do conteúdo no Projeto Canal Saúde Fiocruz, no Rio de Janeiro. Foi Coordenador de Comunicação e Conteúdo do site PVBG — Protetores da Vida Baía de Guanabara, do projeto Protetores da Vida Nacional, que faz parte do Programa de Educação Ambiental que complementa as ações do Programa de Revitalização Ambiental da Bacia Hidrográfica da Baía de Guanabara, através do MMA, e executado no RJ pela ONG CIMA — Centro de Cultura, Informação e Meio Ambiente. Fez parte da Redação da Revista Brasileira de Bioenergia, uma publicação trimestral do CENBIO — e da Designum Comunicação. Esta publicação é distribuída para ministros de estado, senadores, governadores, deputados federais, prefeitos, deputados estaduais, diretores de agências reguladoras, secretarios estaduais de meio-ambiente e de energia, cientistas, empresários e especilistas em energia e meio-ambiente. e-mail:(mbaglione@rionet.com.br) e (pesquisa@fiocruz.br)
MARCELO BAGLIONE - é Coordenador do Núcleo de Estudos sobre Pesquisa e Conteúdo em Redes de Comunicação Socioambientais do Projeto BECE;




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